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Critical Care Conference traz perspectivas e novidades para a Medicina Intensiva

julho 20, 2017 • Por

Evento internacional e multiprofissional se encerra com sucesso em São Paulo e marca a retomada dos Cuidados Críticos entre as áreas prioritárias para a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia


Lidar com o risco iminente de fatalidade em uma Unidade de Tratamento Intensivo é um trabalho árduo e minucioso. Pneumologistas, intensivistas, fisioterapeutas e enfermeiros agem em conjunto para tomar decisões corretas e executar procedimentos de maneira assertiva.

Se na prática clínica estes profissionais estão unidos, na ciência não poderia ser diferente. Por isso, a Conferência de Medicina Intensiva fomentou a discussão entre especialistas em saúde respiratória e uniu, pela primeira vez no Brasil, três grandes sociedades mundiais: American Thoracic Society (ATS), Asociación Latinoamericana del Tórax (ALAT) e Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT).

Foram três dias de cursos e debates sobre o estado da arte da Medicina Crítica, com 23 palestrantes e mais de 300 profissionais de todo o continente americano. O público era essencialmente jovem, como é o caso do conferencista Renato Miranda Lima, que recém terminou a residência em Pneumologia pela Faculdade de Medicina da USP. “A grade do Congresso está bem feita, contemplando pontos atuais e relembrando trajetórias históricas”, opina.

A juventude predominante na plateia instigou os palestrantes norte-americanos, que aproveitaram para fazer provocações e encorajar os participantes a investigar sobre determinadas lacunas. “As pessoas estão tendo a oportunidade de fazerem perguntas e interagir. Esta é uma ótima característica da conferência”, elogiou a Dra. Patricia A. Kritek, professora da Universidade de Washigton (EUA). “Vocês, jovens de mente brilhante, estamos precisando urgente de um biomarcador para medir a troponina dos pulmões!”, enfatizou Taylor Thompson durante o debate.

A saúde respiratória é uma das mais comprometidas entre pacientes de UTI. Por isso, é necessário unir esforços em busca de maneiras de proteger os pulmões em casos críticos de Insuficiência Respiratória, Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo (SDRA), Lesão Pulmonar Aguda (LPA) e outras formas de limitações, além de aprimorar as práticas de Ventilação Mecânica e afinar o conhecimento sobre Pressão Positiva Expiratória Final (PEEP), Oxigenação por Membrana Extracorpórea (ECMO), Ventilação Assistida Ajustada Neuralmente (NAVA), entre muitas outras técnicas.

Para o Presidente da SBPT, Dr. Fernando Lundgren, a Conferência foi decisiva para resgatar a importância do pneumologista enquanto pesquisador e especialista fundamental na área de Medicina Intensiva e Ventilação Mecânica.

O Dr. Carlos Carvalho, Professor Titular de Pneumologia do HC-FMUSP, concorda com o Dr. Lundgren: “a SBPT está dando um passo no sentido de mostrar para os nossos residentes e para a comunidade médica e científica que este é um espaço que ela merece ocupar. Os brasileiros têm gerado conhecimento de repercussão internacional, e aqui é uma oportunidade de difundir isso”, ressaltou o Dr. Carvalho.

O evento foi histórico para os brasileiros também porque celebra os 35 anos da UTI respiratória do HC. “Tivemos inserções que mudaram a ventilação mecânica no mundo todo. Foi aqui que iniciamos experimentações com 53 pacientes em 1998, depois os norte-americanos ampliaram o estudo para mais de 800 pacientes para confirmar aquilo que a gente tinha feito aqui”, relembra o Dr. Carvalho.

As demonstrações ao vivo no laboratório animal da UTI do HC foi um dos pontos altos da Conferência. Os professores Dr. Marcelo Amato, Dr. Carlos Carvalho e Dr. Eduardo Leite fizeram simulações exatas do que pode acontecer com o pulmão do paciente no leito de uma UTI. Os congressistas tiveram a oportunidade de ver na prática variações da pressão transpulmonar, qual é o volume ideal de água na calibração do balão esofágico e por que é necessário repetir a medição da pressão pleural em cada paciente, por exemplo.

A Conferência de Medicina Intensiva deixou os palestrantes e participantes determinados a se envolverem em iniciativas como esta, pelo menos, uma vez ao ano. Afinal, dividir os simpósios, cursos, workshops e cafés com os melhores especialistas da área é um grande incentivo para quem pesquisa, testa e aplica novidades com um nobre benefício: oferecer alento e esperança às famílias ao prolongar a vida em seu momento mais frágil.


Fotos: Rodrigo Augusto