SBPT na mídia

Indústria do cigarro diversifica produtos à procura de novos consumidores

julho 25, 2017 • Por

STF deve julgar a proibição dos aditivos de sabor no dia 17 de agosto. De acordo com o Dr. Alberto José de Araújo, pneumologista da SBPT e do Instituto de Doenças do Tórax da UFRJ, a liberação desse tipo de produto põe em risco a trajetória bem sucedida de redução do tabagismo no Brasil.

Com a legislação cada vez mais rígida e uma crescente rejeição dos consumidores, a indústria do fumo vem diversificando seu leque de produtos. As novas ofertas vão de cigarros com aditivos de sabor a aparelhos eletrônicos para fumar.

Em 2011, foram registrados 60 produtos com pelo menos um aroma, de acordo com dados oficiais obtidos pela ONG Aliança Contra o Tabagismo – ACT – Promoção da Saúde.

A quantidade de marcas diminuiu para cinco nos dois anos seguintes, com a decisão da Anvisa de proibir flavorizantes. Há três anos, uma liminar do STF suspendeu a regra. Isso fez com que aumentasse para 67 os novos registros de cigarro com sabor em 2014, 87 em 2015 e 80 em 2016.

O julgamento definitivo do Supremo está marcado para 17 de agosto. Além da revogação da regra que alerta para o perigo dos flavorizantes, que já está suspensa por liminar, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) pede que seja declarada a inconstitucionalidade de parte da lei da Anvisa, em especial o artigo que permite ao órgão proibir a comercialização de produtos em caso de violação da legislação ou risco iminente à saúde.

De acordo com a Anvisa, a nova geração de dispositivos eletrônicos para fumar está proibida no Brasil, com base em resolução de 2009.

Preocupados com o rápido avanço desses produtos no exterior, médicos brasileiros enviaram uma carta à Anvisa pedindo que seja mantida a resolução que proíbe dispositivos eletrônicos. “Não há evidências científicas conclusivas que sustentem a defesa dos dispositivos eletrônicos que liberam nicotina para consumo de nossa população”, diz um documento da AMB (Associação Médica Brasileira).

O Dr. Alberto José de Araújo, pneumologista do Instituto de Doenças do Tórax da UFRJ e da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), falou à Folha de S. Paulo sobre o risco da entrada de novos produtos da indústria do tabaco diante de uma trajetória bem sucedida de redução dos fumantes no Brasil: em 1989, 35% da população brasileira fumava. No ano passado, o índice caiu para 10,2%, segundo pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde nas capitais.

Em pesquisa publicada por universidades suíças este ano, foi identificada a presença de substâncias tóxicas no cigarro eletrônico, assim como ocorre no tradicional.

De acordo com o estudo, parte deles tinha concentração de nicotina menor do que a dos produtos convencionais, mas os níveis de acroleína eram similares e os de acenafteno, quase três vezes maiores. As duas substâncias estão associadas a problemas nos fígados, rins, tosse e bronquite.

“Os novos produtos geram dependência da mesma forma que o cigarro comum, por causa da nicotina. Em relação ao tabaco aquecido, há carência de estudos científicos independentes”, explicou o Dr. Alberto Araújo.

Fonte: Folha de S. Paulo