Institucional

SBPT orienta associados e parceiros a não participarem de eventos patrocinados pela indústria do tabaco

agosto 31, 2017 • Por

O Dr. Alberto José de Araújo, membro da Comissão Científica de Tabagismo da SBPT, declinou o convite para participar do Fórum “Mudança de Hábitos e Redução de Danos à Saúde”, promovido pela Folha de S. Paulo com o patrocínio da Philip Morris na última quarta-feira (23). A SBPT aproveita a ocasião para explicar porque considera impróprio integrar este tipo de diálogo.

O Dia Nacional de Combate ao Fumo (29/08) está se aproximando e este tema fica ainda mais evidente nos veículos de comunicação. De um lado, os profissionais da saúde se esforçam para alertar a população sobre os riscos do tabagismo. Na outra ponta, a indústria do tabaco assume o discurso da “redução de danos” para cativar o consumidor e, assim, preparar o terreno para trazer o cigarro aquecido para o Brasil e liberar os dispositivos eletrônicos de fumar, proibidos no país.

A SBPT não corrobora com a ideia de “reduzir os danos” causados pelo tabagismo por entender que o simples fato de conter menos alcatrão, monóxido de carbono e outras substâncias nocivas no cigarro eletrônico não diminui as chances de contrair doenças no futuro. “Ainda que contivesse somente nicotina, geraria dependência e danos ao sistema cardiovascular. Não há níveis seguros de consumo dessas substâncias”, reforça o Dr. Alberto.

Por esse motivo e em função do disposto no “Código de Práticas para Organizações de Profissionais de Saúde para o Controle do Tabagismo“, da Organização Mundial da Saúde, a SBPT acredita ser importante orientar os médicos a não integrarem eventos patrocinados pela indústria do tabaco.

Seria equivocado pensar que esse tipo de debate e/ou matéria jornalística poderia representar uma oportunidade de expormos informações reais e essenciais para a comunidade – como o fato de que a indústria do tabaco mata 2 de cada 3 usuários de seus produtos e alicia de 80 a 100 mil crianças e adolescentes por dia com aditivos de sabor e novidades.

A presença de representantes de qualquer empresa a favor do tabaco denota que há interesses direcionados nos resultados e na divulgação destes diálogos. “A indústria do tabaco tenta, mais uma vez, confundir consumidores e profissionais de saúde, como já fez na época dos filtros, dos baixos teores etc.”, alerta o Dr. Alberto.

Portanto, a participação dos especialistas da saúde que fazem o importante advocacy contrário a esses produtos caracterizaria “conflitos de interesses irreconciliáveis com os pressupostos da Convenção Quadro para o Controle do Tabaco”, nas palavras do Dr. Alberto Araújo.

“​Com o ​forte ativismo pelo controle do tabagismo no Brasil​ que a nossa SBPT desenvolve desde as figuras históricas de Mário Rigatto, Jayme Neves, José Rosemberg e outras ilustres personalidades, não poderia ser diferente o nosso posicionamento: não compactuaremos com iniciativas patrocinadas pela indústria do tabaco.”, finaliza o Dr. Alberto.

Segue abaixo o modelo de resposta do Dr. Alberto José de Araújo, que poderá ser utilizado para recusar convites semelhantes:

Agradecemos pelo contato e convite, contudo, declinamos a participação em função do disposto no “Código de Práticas para Organizações de Profissionais de Saúde para o Controle do Tabagismo”, da Organização Mundial da Saúde, pois caracterizaria conflitos de interesses irreconciliáveis com os pressupostos da Convenção Quadro para o Controle do Tabaco, uma vez que este evento tem como patrocinador uma empresa multinacional do tabaco, portanto, parte interessada direta nos resultados.

Não nos sentimos à vontade, portanto, para participar, como membro ativo de sociedade médica em advocacy pelo controle do tabagismo. Em razão do exposto, agradecendo a distinção do convite ora formulado, e nos colocamos à disposição para colaborar em outra oportunidade.

Em caso de dúvidas, entre em contato com o Dr. Alberto pelo telefone (21) 3938-2195 ou diretamente com a Diretoria de Comunicação da SBPT.