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Caos na Saúde pode causar surto de tuberculose no Rio de Janeiro

novembro 23, 2017 • Por


A greve nas clínicas da família, somada à falta de medicamentos e à suspensão de exames básicos, como radiografias e análises laboratoriais, está comprometendo o controle da sífilis e da tuberculose no estado do Rio.

A crise que atinge a rede básica de saúde do município afeta os pacientes e os profissionais das unidades, que não estão recebendo pagamento. A falta de recursos é reflexo do bloqueio de R$ 550 milhões do orçamento da saúde da Secretaria Municipal de Fazenda desde o início do ano.

As áreas dos bairros de Penha, Ramos, Ilha do Governador, Complexo do Alemão, Maré, Vigário Geral, Inhaúma, Méier, Jacarezinho, Irajá, Madureira, Anchieta e Pavuna, estão sem exames de sangue, urina, fezes e sem poder fazer preventivos, o que interferiu diretamente em programas essenciais, como o pré-natal.

No caso da tuberculose os exames de diagnóstico são feitos nas unidades básicas e a medicação é disponibilizada pelo Ministério da Saúde, porém, a  falta de radiografia de tórax impossibilita e atrasa os procedimentos.

A situação se estende às clínicas da área de Santa Cruz, Sepetiba e Paciência, na Zona Oeste do Rio. Apenas cerca de 30% do efetivo das unidades estão trabalhando durante a greve e assim, a procura por atendimento tem sido cada vez menor, pois os atendimentos têm demorado mais tempo.

A pneumologista Dra. Margareth Dalcolmo, pesquisadora da Fiocruz e membro do comitê assessor de tuberculose do Ministério da Saúde, ressalta que os contratos de trabalho precários acabam provocando um rodízio de pessoal nessas unidades, o que tem prejudicado e atrasado o diagnóstico da tuberculose.

“Esse rodízio de médicos prejudica o diagnóstico. Além disso, algumas unidades não têm presença permanente de médicos. Com o teste rápido molecular, não há justificativa para o diagnóstico não acontecer em 24 horas. Mas muitas unidades estão demorando sete dias para devolver o resultado. Isso é inadmissível, assim como não oferecer radiografia de tórax, um exame barato e básico. O resultado é a situação catastrófica do ponto de vista epidemiológico da tuberculose no Rio” analisa a médica.

De acordo com o Ministério da Saúde, atualmente, a tuberculose atinge 32,4 pessoas por cem mil habitantes no Brasil. Em 2016, foram registrados 66,7 mil novos casos e 12,8 mil casos de retratamento de tuberculose no país. No Rio de Janeiro, a taxa de incidência da doença está bem acima da média nacional (82 casos por 100 mil habitantes), a taxa de mortalidade por TB é a mais alta entre todas as capitais do país — 6,9 mortes por 100 mil habitantes, o dobro da média das capitais brasileiras.

Os agentes comunitários de saúde também vão entrar em greve. Assim como acontece com médicos e enfermeiros, 30% dos agentes de saúde vão permanecer trabalhando, priorizando a busca ativa de gestantes e a supervisão de pacientes com hanseníase, tuberculose e crianças de até 1 ano de idade.


Fonte: Extra.