Radar da Pneumologia

Dia da Mulher: asma se manifesta de forma diferente entre elas

Março 8, 2018 • Por


No Brasil, as mulheres são maioria entre adultos com asma: são cerca de 3,9 milhões de mulheres asmáticas contra 2,4 milhões de homens, segundo dados do IBGE. Os índices de exacerbações e hospitalizações por causa da doença também são maiores entre elas.

A asma é uma doença crônica e heterogênea que causa inflamação dos brônquios conforme há exposição a gatilhos como poeira, mofo, fumaça, pêlo de animais, entre outros. As vias aéreas ficam mais inchadas e estreitas e com mais muco, o que dificulta a passagem do ar. A intensidade da doença pode variar entre asma leve, intermitente e grave.

Há estudos científicos que relacionam a asma às questões de gênero, especialmente a relação entre os hormônios femininos e a manifestação dos sintomas da asma. Este artigo de revisão mostra que a asma é mais prevalente entre as mulheres a partir da puberdade, sugerindo uma relação entre a doença e os hormônios sexuais.

O período pré-menstrual, a gravidez e a menopausa também influenciam na gravidade da asma. No caso das gestantes, a explosão hormonal de progesterona pode desregular o sistema imune e aumentar a propensão às complicações respiratórias.

Esta outra pesquisa de 2017, publicada pela revista Current Allergy Asthma Reports, avaliou estudos experimentais em animais e estudos clínicos, procurando definir o papel dos hormônios sexuais na gênese da asma. Os autores concluem que os hormônios ovarianos aumentam a inflamação da asma e a testosterona diminui esta inflamação, porém os mecanismos ainda permanecem desconhecidos.

Há dados que sugerem também que a anatomia da mulher pode conferir percepções diferentes de obstrução das vias aéreas. Mulheres asmáticas podem ter pior qualidade de vida relacionada à asma, mais limitações físicas e maior sensibilidade à dispneia.

Felizmente, elas costumam ser mais cuidadosas com a saúde e se lembram mais de carregar consigo a bombinha de manutenção.

Pesquisas que ajudem na compreensão da influência desta variação hormonal podem propiciar um controle mais adequado da doença.

Vamos aproveitar o Dia Internacional da Mulher para reconhecer as particularidades da asma nas mulheres e a necessidade da continuidade das pesquisas para o melhor entendimento dos mecanismos, propiciando a personalização do tratamento da doença.


Fontes: Jornal do Brasil, NCBI e Annals of Allergy, Asthma & Immunology.