Radar da Pneumologia

Fibrose pulmonar entre dentistas alerta para provável causa ocupacional da doença

Março 13, 2018 • Por


Entre 894 pacientes do hospital da Virgínia (EUA) diagnosticados com fibrose pulmonar idiopática, 1% é dentista ou técnico dentário, de acordo com Relatório de Morbidade e Mortalidade dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos.

Entre os nove pacientes que trabalhavam na área de Odontologia, referidos como um cluster, sete morreram no período de 16 anos.

Dr. Randall J. Nett, autor principal do estudo e oficial médico da US Public Health Service, explicou que um cluster é um termo usado para definir uma coleção de casos “agrupados no local e no tempo que são suspeitos de serem maiores do que o esperado”.

Todos os pacientes no grupo – oito dentistas e um técnico dentário – eram homens, com uma idade média de 64 anos. Embora a causa da doença seja desconhecida, o levantamento indica que as exposições ocupacionais merecem ser investigadas.

“Dentistas e outros profissionais dentais têm exposições únicas no trabalho, que incluem bactérias, vírus, poeiras, gases, radiações e outros perigos respiratórios”, alertou o pesquisador.

De acordo com o relatório, um dos pacientes informou polir aparelhos dentários e preparar moldes sem usar máscara ou outra proteção. Durante essas tarefas, o trabalhador teria sido exposto à sílica e outros compostos com toxicidade respiratória em potencial. Além disso, os dentistas têm contato com gesso, poeira da perfuração e outras substâncias tóxicas.

O autor do estudo recomendou que os trabalhadores usem proteção respiratória certificada se a capacidade de melhorar a ventilação não é prática e eficaz.

De acordo com pneumologistas, ainda falta conscientização para que os diagnósticos sejam precoces e acurados em relação às doenças intersticiais pulmonares em geral e principalmente à fibrose pulmonar idiopática.

Pessoas acima de 50 anos com sintomas como tosse seca e prolongada, falta de ar e cansaço constante devem ser investigadas. O diagnóstico pode ser concluído por avaliação clínica, laboratorial, radiológica (raio-x de tórax ou tomografia computadorizada) ou, em alguns casos, por avaliação da função pulmonar, broncoscopia ou biópsia pulmonar.

Eliminando os riscos ocupacionais

Pneumologistas e as instituições de saúde respiratória precisam influir mais no sentido de alertar sobre o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) para trabalhadores expostos a risco.

Poeira, fumos de gases, neblina, névoa ou vapores penetram nas vias respiratórias e podem provocar desde sensações de desconforto, como um sufocamento, até graves intoxicações.

De acordo com a NR 6 da Portaria nº 3.214/78, as empresas são obrigadas a fornecer aos empregados, gratuitamente, EPIs adequados ao risco do seu trabalho, como a instalação de exaustores, o uso de máscaras com respirador, a manutenção das máquinas, a garantia de rodízios ou pausas no trabalho, etc.

No Brasil, é necessário ter uma especial atenção com as metalúrgicas, mineradoras e fundições. Só a metalurgia representa 1,3% do PIB brasileiro e 5,4% do PIB da indústria. Os estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais concentram grande parte dessas empresas e necessitam de mais atenção dos profissionais da saúde.


Fontes: CNN e Linkedin.