Radar da Pneumologia

Abril é o mês de atenção à sarcoidose

Abril 6, 2018 • Por


A característica da sarcoidose é crescimento de células inflamatórias em múltiplos órgãos de forma aguda ou crônica. Segundo dados epidemiológicos, dez em cada 100 mil brasileiros podem ter a doença.

A sarcoidose pode atingir qualquer gênero ou grupo étnico, mas é mais comum em mulheres adultas de até 50 anos.

A doença foi descrita pela primeira vez em 1877 pelo médico inglês Jonathan Hutchinson. É uma enfermidade multissistêmica, de causa desconhecida e com diversas apresentações clínicas, desde a forma assintomática até estágios com disfunções de múltiplos órgãos.

De acordo com o pneumologista da SBPT, Dr. Eduardo Pamplona Bethlem, a doença pode se apresentar de maneiras distintas em cada região do globo, com diferenças de acometimento de órgãos, por exemplo. A sarcoidose pode evoluir de forma crônica, atingindo pele, olhos, coração, fígado, rins, glândulas salivares, sistema pulmonar, linfoide, nervoso e endócrino e da musculatura esquelética.

Segundo o médico, a enfermidade se comporta predominantemente de maneira favorável em torno de 70% dos casos e pode regredir de maneira espontânea. Além disso, algumas vezes em percentual pequeno, porém não desprezível, a sarcoidose se mantém “ativa”, mas sem necessidade de tratamento e sem evoluir para danos maiores nos órgãos acometidos.

“Essa taxa de regressão espontânea pode variar na dependência da amostra estudada (clínica particular/ambulatório x centros de referência), porém, a literatura costuma apontar taxas de resolução espontânea próximas a 50% (só para ilustrar cito uma revisão recente – Mañá et al. Medicine 2017, 96:29)”, informa o Dr. Bethlem.

Sarcoidose e os pulmões

A sarcoidose acomete os pulmões em 80 a 90% dos casos. A avaliação da doença torácica é feita tradicionalmente pela telerradiografia de tórax e classificada em estágios:

Estágio 0: sem acometimento torácico;
Estágio I: linfonodomegalia hilar;
Estágio II: linfonodomegalia hilar e acometimento pulmonar intersticial;
Estágio III: acometimento intersticial pulmonar;
Estágio IV: presença de doença cicatricial.

Na sarcoidose, os pacientes podem ter tosse seca e persistente, febre, perda de peso, sudorese noturna, falta de ar, entre outros sintomas, o que frequentemente leva a um diagnóstico tardio ou equivocado, confundido com a tuberculose.

O diagnóstico da sarcoidose é firmado com tomografia de alta resolução ou biópsia, que mostra a infiltração de granulomas nas vias aéreas.

A sarcoidose é mais comum nos lobos superiores e pode causar distorção arquitetural (envolvimento pulmonar bilateral e assimétrico), retração hilar e redução do volume dos lobos superiores, estreitamento das vias aéreas, fibrose do tecido pulmonar e bronquiectasias.

Curso de Radiologia Torácica – UFPA