Radar da Pneumologia

ANVISA promove painel de discussão sobre Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEFs)

Abril 11, 2018 • Por


Nesta quarta-feira (11 de abril), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária está organizando um painel com a presença de associações e empresas interessadas no registro de DEFs no Brasil e entidades de controle do tabagismo, contrárias à liberação dos cigarros eletrônicos.

O debate está sendo transmitido ao vivo pelo Skype. Assista aqui.

Entre as instituições de defesa da saúde e contra os DEFs, estarão presentes a OPAS, INCA, AMB, Secretariado da Convenção Quadro para Controle do Tabaco, além da Sociedade Civil e representantes da Academia.

Conforme pontua a Comissão Científica de Tabagismo da SBPT, os dispositivos eletrônicos para fumar são vistos como atrativos para crianças e jovens, com consequente aumento da taxa de experimentação, inclusive em pessoas que nunca haviam fumado cigarro convencional anteriormente. Portanto, trata-se de um produto com efeito reforçador do modelo comportamental do ritual clássico de fumar.

Além disso, os dispositivos eletrônicos para fumar trazem potenciais riscos à saúde, uma vez que várias substâncias danosas ao organismo foram detectadas em amostras de cigarro eletrônico (Dietilenoglicol; Nitrosaminas, que são cancerígenos; impurezas específicas do tabaco; entre outras). Além disso, os níveis de nicotina por sopro variaram de 26,8-43,2 mcg de nicotina / 100 mL sopro.


Com relação ao argumento de que o cigarro eletrônico pode ser aliado na cessação tabágica, não há evidências sólidas e científicas sobre a efetividade dos dispositivos para este fim, por isso, eles não são recomendados pelos médicos.

Para tanto, a classe médica acredita que existem opções terapêuticas já testadas para parar de fumar, aliadas ao suporte por aconselhamento comportamental, que são custo-efetivas e amparadas por robustos estudos científicos, incluindo revisões sistemáticas com metanálise.

Pelo exposto, o que se espera de hoje é a manutenção da restrição dos DEFs por parte da ANVISA (RDC 46/2008), com o aval da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia e Associação Médica Brasileira.