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Dia Mundial Sem Tabaco 2018 alerta para as doenças cardiovasculares causadas pelo fumo

junho 4, 2018 • Por


Campanha global contra o tabagismo é no próximo dia 31/05. Na ocasião, a Organização Mundial da Saúde (OMS) evidencia que o uso do tabaco e a exposição ao fumo passivo causam 29% das doenças cardiovasculares e aumentam em cerca de 25% o risco de morte por doença coronariana (angina e infarto) e por acidente vascular cerebral (AVC).

Conforme explica o pneumologista Dr. Alberto José de Araújo, membro das Comissões de Tabagismo da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) e Associação Médica Brasileira (AMB), a nicotina, o monóxido de carbono (CO), os hidrocarbonetos aromáticos policíclicos e outros agentes oxidantes da combustão do tabaco contribuem para a lesão do endotélio vascular, parede que reveste o vaso sanguíneo, fator determinante para desencadear doenças cardiovasculares.

“Fumar aumenta as chances de se ter aterosclerose e doença isquêmica coronariana (DIC), aumenta em três vezes o risco de infarto agudo do miocárdio (IAM), e em quatro vezes a possibilidade de se ter morte súbita cardíaca”, alerta o Dr. Araújo.

Entre as doenças vasculares agravadas pelo tabagismo estão os aneurismas arteriais, doença arterial coronariana, doença arterial oclusiva periférica, tromboembolismo venoso e tromboangeíte obliterante, também conhecida como doença de Buerger, que leva à amputação dos membros.

Os dados levantados pelo pneumologista fazem parte da cartilha do Conselho Federal de Medicina (CFM) deste ano sobre o assunto, que incluem, ainda, as doenças neurológicas causadas pelo hábito de fumar, como acidente vascular encefálico (AVE), neuropatia óptica bilateral e hemorragia subaracnóidea. “Fumar duplica o risco de quadros demenciais e doença de Alzheimer e influencia adversamente a progressão da esclerose múltipla”, completa o Dr. Araújo.

Realidade brasileira

Estudo de Pinto, M et al., 2017, mostrou que o tabagismo ocasiona, anualmente, cerca de 477 mil internações e 35 mil óbitos por infarto e doenças cardíacas, além de 59 mil hospitalizações e 11 mil mortes por AVC no Brasil, gerando um custo de assistência médica de mais de R$ 12 bilhões.

A pesquisa mostra, ainda, que o gasto total no Brasil com o tabagismo, somando os pacientes fumantes portadores de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) e diversos tipos de câncer, chega à cifra de R$ 56 bilhões por ano.

“O tabagismo, ativo e passivo, é responsável por cerca de 90% dos casos de câncer de pulmão e por 85% das mortes por DPOC”, informa a coordenadora da Comissão Científica de Tabagismo da SBPT, Dra. Maria da Penha Uchoa Sales.

Políticas de controle do tabagismo: solução para reduzir os riscos

Um dos propósitos do Dia Mundial Sem Tabaco 2018 é envolver os governos e a população no desenvolvimento de ações e medidas que possam reduzir os riscos que o tabaco representa para a saúde cardiovascular no tabagista ativo e nas pessoas expostas ao fumo passivo.

A proibição do fumo em ambientes fechados, por exemplo, levou a um declínio de 33% na incidência de infarto agudo do miocárdio e redução de 17% dos registros de morte súbita.

Sobre o tabagismo

Segundo a OMS, o tabagismo é a principal causa de morte evitável em todo o mundo, atingindo 1 bilhão de pessoas em todo o mundo e podendo causar 7 milhões de mortes prematuras este ano, sendo 8% delas (900 mil) relacionadas ao fumo passivo.

O fumo é responsável por 30% dos casos de câncer (pulmão, boca, laringe, faringe, esôfago, pâncreas, rim, bexiga, colo de útero, estômago e fígado) e é fator importante para o desenvolvimento de tuberculose, infecções respiratórias, úlcera gastrintestinal, impotência sexual, infertilidade em mulheres e homens, osteoporose, catarata, entre outras.

“O tabagismo é causa de aproximadamente 50 doenças, muitas delas incapacitantes e fatais, como câncer, doenças cardiovasculares e respiratórias crônicas”, alerta a Dra. Penha.

De acordo com os médicos, parar de fumar é a medida mais efetiva para evitar o desenvolvimento de doenças cardíacas. “O risco de um evento cardíaco agudo é reduzido pela metade após um ano de abstinência do tabaco e se iguala ao da população não-fumante depois de 15 anos sem fumar”, encoraja o Dr. Alberto Araújo.

O risco de doença coronariana está presente em todos os níveis de consumo. Assim, mesmo que a pessoa fume menos de 5 cigarros por dia, ela está sujeita a ter doenças cardíacas.