Radar da Pneumologia

Ministério da Saúde mostra preocupação com “Fake News” sobre vacinas

setembro 3, 2018 • Por

 

As redes sociais fizeram crescer um fenômeno de notícias falsas – as chamadas “fake news” – que são boatos feitos para ganhar compartilhamentos. No entanto, o público nem sempre desconfia, o que certamente é prejudicial, especialmente quando o assunto é saúde. Notícias falsas sobre vacinas estão relacionadas baixa adesão destes recursos de imunização, com número de aplicações muito abaixo da meta.

A campanha vacinação contra a gripe, por exemplo, acontece anualmente. É indicado que idosos, gestantes, lactantes, crianças, professores, profissionais da saúde, povos indígenas e presidiários sejam imunizados. Em 2018, apenas 66% do público alvo recebeu a dose durante a campanha, de modo que a porcentagem de crianças vacinadas foi menor que a metade esperada. Diversas fake news foram veiculadas nas redes sociais: um novo subtipo do vírus influenza no Brasil, um componente da vacina causador de autismo, conspiração de controle populacional sobre o grupo de risco alvo da vacina e as mais diversas mentiras que preocupam o Ministério da Saúde.

“Não temos instrumentos para mensurar o impacto das fake news sobre as vacinas na baixa adesão deste ano. É bem possível que sim, pois essas campanhas antivacinais surgiram há algum tempo nos EUA e também impactaram negativamente a vacinação por lá”, afirmou o Dr. Mauro Gomes, membro da Comissão de Infecções Respiratórias da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT). “O compartilhamento irresponsável dessas notícias acaba atingindo pessoas menos informadas que, por medo, deixam de se vacinar ou vacinar as crianças”, afirmou o pneumologista, que considera as vacinas antigripais seguras e necessárias: Apenas 4% dos indivíduos normais e até 20% dos portadores de DPOC podem ter algum efeito colateral após a vacinação contra a gripe. Normalmente esses efeitos são discretos e se parecem com um resfriado leve: dores musculares, cansaço, dor de cabeça e febre baixa. Algumas pessoas podem apresentar dor e vermelhidão no local da injeção. Convém salientar que a vacina não provoca a gripe, pois é composta por vírus mortos. Como a vacina leva até 4 semanas para exercer seu efeito protetor, se a pessoa entrar em contato com o vírus ou se o vírus já estiver em incubação nesse período, ela pode desenvolver a gripe”.

Proteger-se desta virose também é um modo de não ser vetor da doença e acometer mais pessoas, afinal, os vírus influenza se propagam pelo ar. O alerta também se aplica a outras campanhas com baixa aderência: contra o sarampo, febre amarela, entre outras. É importante manter a carteira de vacinação sempre em dia. Informações corretas sobre a vacinação devem ser comunicadas ao maior número possível de pessoas, para que a população se conscientize. Além do mais, duvidar de notícias muito alarmantes postadas em veículos desconhecidos é muito importante, assim, cada um pode fazer sua parte para controlar o problema das fake news.